domingo, 18 de outubro de 2026

 


Olhando Para o Alto

 

Números 21:4-9

A murmuração nos afasta da gratidão, o pecado traz consequências, mas Deus oferece um caminho de restauração para quem crê na sua Palavra.

Mesmo durante as crises da caminhada, precisamos confiar em Deus, reconhecer nossos erros e olhar para a provisão que Ele estabeleceu para a nossa salvação.

Introdução

O povo de Israel havia sido libertado da escravidão do Egito pela poderosa mão de Deus. Eles testemunharam as pragas, atravessaram o mar Vermelho e receberam o maná no deserto.

Entretanto, em Números 21, encontramos um povo cansado da caminhada.

A Bíblia diz que a alma do povo se angustiou por causa do caminho. Eles começaram a falar contra Deus e contra Moisés, desprezando o alimento que o Senhor lhes proporcionava.

Como consequência, serpentes venenosas apareceram entre eles, e muitas pessoas morreram. O povo reconheceu seu pecado, pediu que Moisés intercedesse, e Deus ordenou que fosse feita uma serpente de bronze, colocada sobre uma haste.

Aquele que fosse mordido e olhasse para ela viveria.

Aqui encontramos uma grande lição espiritual: o deserto pode testar a nossa fé, mas não precisa destruir a nossa confiança em Deus.

Vamos aprender três verdades desse texto.

 

1.    O perigo de esquecer as bênçãos durante a caminhada.

Números 21:4-5

O povo estava cansado porque o caminho era longo. Em vez de reconhecer o cuidado de Deus, começou a murmurar contra o Senhor.

Eles tinham sido libertados do Egito, mas ainda carregavam dentro de si sentimentos de insatisfação.

O problema não era apenas a dificuldade do deserto; era a maneira como estavam enxergando aquela dificuldade.

Deus estava sustentando o povo, mas o povo já não valorizava o sustento de Deus.

 

Aplicação:

Quantas vezes acontece o mesmo conosco?

  • Há pessoas que pediram um emprego a Deus e, depois de consegui-lo, passam a reclamar de tudo no trabalho.
  • Há pessoas que oraram por uma família e, quando chegam as dificuldades dentro de casa, esquecem as bênçãos que receberam.
  • Há cristãos que, durante a enfermidade, recebem cuidado e apoio, mas permitem que o sofrimento apague da memória tudo o que Deus já fez.

Isso não significa que não podemos expressar nossas dores a Deus. Os Salmos mostram que podemos derramar diante dele nossas lágrimas e angústias. O perigo está em permitir que a insatisfação se transforme em incredulidade e ingratidão.

A murmuração faz o coração olhar apenas para aquilo que falta; a gratidão nos ajuda a reconhecer aquilo que Deus já fez.

Exemplo para ilustrar: Um homem caminha usando sapatos que estão apertados e passa todo o percurso reclamando. Ao chegar em casa, encontra alguém que não tem sequer um par de sapatos. O problema do primeiro é real, mas a comparação o ajuda a perceber que ainda existem motivos para agradecer.

Reflexão:

  • Estamos valorizando o que Deus já fez por nós?
  • Nossa boca tem sido instrumento de gratidão ou de reclamação?
  • Estamos confiando em Deus somente quando o caminho é fácil?

“Não permita que a dificuldade de hoje apague da sua memória os milagres de ontem!”

 

2.    Reconhecer o pecado é o primeiro passo para a Restauração.

Números 21:6-7

Depois que as serpentes começaram a ferir o povo, os israelitas reconheceram a gravidade do que haviam feito.

No versículo 7, disseram a Moisés:

“Havemos pecado, porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti.”

Observe que o povo não tentou justificar seu comportamento. Reconheceu o pecado e pediu que Moisés intercedesse.

Esse é um momento importante da narrativa: o povo deixa de apenas reclamar das consequências e passa a reconhecer sua responsabilidade.

O arrependimento verdadeiro não consiste apenas em sentir medo do sofrimento. É reconhecer o erro e voltar-se para Deus.

 

Aplicação:

Vivemos numa sociedade em que muitas pessoas encontram justificativas para os próprios erros.

  • Quando alguém fere o próximo com palavras, diz que apenas falou a verdade.
  • Quando alguém alimenta conflitos dentro da família, coloca toda a culpa nos outros.
  • Quando alguém se afasta da comunhão com Deus, frequentemente culpa as circunstâncias, sem examinar o próprio coração.

Mas a Bíblia nos ensina outro caminho.

1 João 1:9 afirma que, se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.

O cristão maduro não é aquele que nunca reconhece ter errado. É aquele que, ao perceber seu erro, não endurece o coração diante de Deus.

Na família, isso significa ter humildade para pedir perdão. Na igreja, significa corrigir atitudes que provocam divisões. No trabalho, significa agir com honestidade mesmo quando ninguém está observando.

É importante lembrar: nem todo sofrimento é consequência de um pecado pessoal. A lição deste episódio é que, quando pecamos, precisamos assumir nossa responsabilidade e buscar a restauração do Senhor.

 

Palavra de aconselhamento Pastoral:

Imagine uma ferida que permanece coberta por um curativo, mas nunca é tratada. Por fora, alguém pode tentar esconder o problema; por dentro, a situação continua se agravando.

Assim também acontece com o pecado não confessado: esconder não é curar.

Deus não revela nossas falhas para nos conduzir ao desespero, mas para nos chamar ao arrependimento e à restauração.

“Quem passa a vida justificando seus erros perde a oportunidade de experimentar a transformação que começa com o arrependimento.”

 

3.    Olhar para a provisão de Deus é encontrar o caminho da vida

Números 21:8-9

Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze e a colocasse sobre uma haste.

A pessoa que havia sido mordida deveria olhar para ela e viver.

A serpente de bronze não era um objeto mágico. A cura estava ligada à provisão de Deus e à confiança demonstrada ao obedecer à sua Palavra.

Pense na cena: alguém havia sido mordido, sentia os efeitos do veneno e precisava tomar uma decisão. Deus havia estabelecido um meio de livramento, mas a pessoa precisava responder àquilo que o Senhor ordenara.

Não era a força humana que poderia salvá-la. Era necessário confiar na palavra de Deus.

 

Aplicação:

Séculos depois, Jesus utilizou esse acontecimento para explicar sua própria missão.

Em João 3:14-15, Ele declarou que, assim como Moisés levantou a serpente no deserto, também era necessário que o Filho do Homem fosse levantado, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna.

Aqui encontramos o cumprimento espiritual mais profundo dessa passagem.

A serpente de bronze apontava para uma verdade que seria plenamente revelada em Cristo: a salvação não é conquistada pela capacidade humana, mas recebida pela fé na provisão de Deus.

Assim como os israelitas precisavam olhar para aquilo que Deus havia ordenado, nós somos chamados a colocar nossa fé em Jesus Cristo, que foi crucificado e ressuscitou para nos oferecer salvação.

  • Quando o pecado tentar nos dominar, devemos nos voltar para Cristo em arrependimento e fé.
  • Quando as circunstâncias provocarem medo, precisamos nos lembrar das promessas de Deus.
  • Quando estivermos espiritualmente enfraquecidos, devemos buscar a Palavra, a oração e a comunhão com a igreja.
  • Quando alguém estiver sofrendo, devemos apontar para Jesus, oferecendo acolhimento, oração e esperança, sem condenação precipitada.

A fé cristã não significa que nunca enfrentaremos dores. Significa que, em meio às dores, temos em Cristo a esperança da salvação e a certeza de que não caminhamos abandonados por Deus.

 

Boa reflexão.

Pastor Aguinaldo Gonçalves.

 

 


domingo, 20 de setembro de 2026

 

“QUANDO DEUS MUDA O NOME, MUDA TAMBÉM A HISTÓRIA”

 

Gênesis 32:22–32

“Não te chamarás mais Jacó, mas Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.”

Gênesis 32:28

Jacó entrou naquela noite confiando naquilo que sabia fazer; saiu dela marcado pela presença de Deus e aprendendo a depender DEle.

A luta não foi apenas física. Foi uma luta entre o velho Jacó e aquilo que Deus queria fazer nascer dentro dele.

1. JACÓ ESTAVA DIANTE DE UMA CRISE

Gênesis 32:6–7

Jacó recebe a notícia:

“Eis que vem teu irmão Esaú, e quatrocentos homens com ele.”

O passado estava vindo ao encontro dele.

Jacó havia enganado Esaú, fugido de sua terra e passado aproximadamente vinte anos longe.

Agora precisava voltar.

E ele ficou com medo.

Observe algo interessante:

Jacó começa a organizar sua estratégia:

divide o povo em grupos;

separa os rebanhos;

prepara presentes para Esaú;

calcula a possibilidade de sobrevivência;

tenta controlar as circunstâncias.

·         Jacó era habilidoso.

·         Ele sabia negociar.

·         Sabia trabalhar.

·         Sabia planejar.

Mas naquela noite ele descobriria uma coisa:

Existem situações que a inteligência humana não consegue resolver.

Há momentos em que Deus permite que chegamos ao limite dos nossos recursos para descobrirmos que nossa maior segurança não está naquilo que podemos fazer, mas naquele que pode fazer por nós.

 

2. JACÓ FICOU SOZINHO

Gênesis 32:24

“Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem até ao romper da alva.”

Essa talvez seja uma das frases mais poderosas do texto:

“Jacó ficou só.”

Enquanto estava cercado por pessoas, animais e recursos, ele podia administrar.

Mas Deus o leva para um lugar onde não havia mais ninguém.

Porque existem experiências com Deus que ninguém pode viver por nós.

·         A família não pode viver por nós.

·         O pastor não pode viver por nós.

·         A igreja não pode viver por nós.

·         Os amigos não podem viver por nós.

Há momentos em que Deus nos coloca a sós com Ele.

E é justamente ali que Deus começa a tratar aquilo que ninguém consegue enxergar.

 

3. QUEM ERA JACÓ?

O nome Jacó está relacionado à ideia de “calcanhar” e, no contexto do relato bíblico, tornou-se associado àquele que suplanta, agarra ou toma vantagem.

Desde o ventre havia uma luta.

Gênesis 25:26

Jacó segurava o calcanhar de Esaú.

Depois:

·         negociou a primogenitura;

·         recebeu a bênção mediante engano;

·         fugiu de Esaú;

trabalhou muitos anos com Labão;

aprendeu a lidar com situações difíceis.

Jacó sabia lutar pela própria sobrevivência.

Mas agora Deus queria ensinar-lhe algo maior:

“Jacó, você não precisa apenas aprender a lutar pelos seus interesses. Precisa aprender a confiar em Mim.”

 

4. A LUTA COM O “HOMEM”: UMA TEOFANIA?

Gênesis 32:24

“...lutou com ele um homem até ao romper da alva.”

Mas veja o que acontece depois.

Gênesis 32:28

“...lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.”

E Jacó declara:

Gênesis 32:30

“Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.”

Além disso, Oséias 12:3–5, ao relembrar esse episódio, relaciona a luta de Jacó com o “anjo” e com Deus.

Por isso, muitos intérpretes cristãos entendem esse episódio como uma teofania, isto é, uma manifestação de Deus.

Há também uma interpretação cristã tradicional que vê aqui uma manifestação pré-encarnada do Filho de Deus, mas isso vai além do que o texto afirma explicitamente.

Portanto, podemos dizer:

Jacó não estava simplesmente enfrentando um adversário humano, ele estava tendo um encontro sobrenatural com Deus.

E o mais importante não é simplesmente descobrir quem era o personagem, mas compreender o que Deus estava fazendo com Jacó naquela noite.

 

5. JACÓ NÃO DESISTIU

Gênesis 32:25–26

Quando o homem toca a articulação da coxa de Jacó, ele fica ferido.

Mesmo assim, Jacó diz:

“Não te deixarei ir, se não me abençoares.”

Aqui encontramos uma grande lição sobre perseverança.

Jacó já não estava lutando na força que tinha antes.

·         Agora estava ferido.

·         Agora estava limitado.

·         Agora estava dependendo.

E justamente quando sua força diminuiu, sua fé aumentou.

Há pessoas que abandonam a oração quando a resposta demora.

Jacó nos ensina:

“Não solte Deus porque a noite ficou longa.”

·         Ore.

·         Persevere.

·         Continue buscando.

·         Continue acreditando.

Continue diante da presença de Deus.

 

6. DEUS TOCOU JUSTAMENTE NA FORÇA DE JACÓ

Gênesis 32:25

O texto diz que Deus tocou na articulação da coxa de Jacó.

Depois daquele toque, Jacó nunca mais caminharia da mesma maneira.

Que imagem poderosa!

Antes:

Jacó caminhava apoiado na própria força.

Depois:

Jacó caminhava mancando, apoiado na dependência de Deus.

Talvez essa seja uma das maiores mensagens desse capítulo.

Deus não estava simplesmente tentando machucar Jacó.

Deus estava quebrando a autossuficiência de Jacó.

Existem momentos em que Deus permite que nossa força seja confrontada para que nossa dependência DEle seja fortalecida.

 

7. DEUS PERGUNTA: “QUAL É O TEU NOME?”

Gênesis 32:27

“E disse-lhe: Qual é o teu nome?”

Deus sabia o nome dele.

Então por que perguntou?

Porque Deus estava levando Jacó a encarar a própria identidade.

Ele precisava dizer:

“Eu sou Jacó.”

Era como se estivesse dizendo:

“Eu sou aquele que enganou.”

“Eu sou aquele que fugiu.”

“Eu sou aquele que tentou controlar minha própria história.”

“Eu sou aquele que sempre encontrou uma maneira de resolver as coisas.”

Mas Deus responde:

Gênesis 32:28

“Não te chamarás mais Jacó, mas Israel.”

Deus não apenas mudou o nome de Jacó. Deus marcou uma mudança de identidade e destino.

 

8. A MAIOR BÊNÇÃO NÃO FOI RECEBER ALGO — FOI SER TRANSFORMADO

Muitas vezes chegamos diante de Deus dizendo:

“Senhor, muda a minha situação.”

Mas Deus responde:

“Primeiro, vou mudar você.”

Jacó queria enfrentar Esaú.

Deus queria enfrentar Jacó.

Jacó pensava que o maior problema estava do lado de fora.

Mas Deus mostrou que havia algo dentro dele que precisava ser tratado.

 

Aplicação:

Às vezes pedimos:

“Senhor, muda meu marido.”

“Senhor, muda minha esposa.”

“Senhor, muda meu trabalho.”

“Senhor, muda minha igreja.”

“Senhor, muda minha situação.”

E Deus pode responder:

“Antes de mudar aquilo que está ao seu redor, vou transformar aquilo que está dentro de você.”

 

9. JACÓ SAIU FERIDO, MAS TRANSFORMADO

Gênesis 32:31

“E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa.”

Que cena!

A noite terminou.

O sol nasceu.

Mas Jacó não saiu daquela experiência da mesma maneira que entrou.

Ele saiu:

·         com uma nova identidade;

·         com uma nova experiência com Deus;

·         com uma marca;

·         com humildade;

·         dependendo mais de Deus.

 

Reflexão:

“Às vezes, a experiência que nos deixa mancando é justamente aquela que nos ensina a andar com Deus.”

 

APLICAÇÃO

Talvez alguém esteja vivendo sua própria “noite de Peniel”.

Uma noite de:

preocupação;

medo;

incerteza;

problemas familiares;

dificuldades financeiras;

crises ministeriais;

portas fechadas;

decisões difíceis.

Mas Gênesis 32 nos ensina:

Não fuja da presença de Deus durante a noite.

Porque algumas das maiores transformações da nossa vida acontecem justamente quando ninguém está vendo.

 

CONCLUSÃO — “EU NÃO VOU SOLTAR”

Imagine Jacó naquela madrugada.

Ele estava cansado.

Ferido.

Sem saber exatamente como seria o encontro com Esaú.

Mas havia aprendido uma coisa:

“Eu não posso controlar o amanhã, mas posso confiar naquele que está comigo.”

E então ele diz:

“Não te deixarei ir, se não me abençoares.”

Essa deve ser a postura do cristão.

Não solte a oração.

Não solte a fé.

Não solte a Palavra.

Não solte a presença de Deus.

Talvez você esteja passando por uma noite.

Mas o sol vai nascer em Peniel.

E quando o sol nascer, talvez algumas coisas ainda não tenham mudado do lado de fora.

Mas haverá algo diferente:

VOCÊ TERÁ MUDADO POR DENTRO.

E aquele que entrou como Jacó sairá como Israel.

Peniel não foi apenas o lugar onde Jacó encontrou Deus. Foi o lugar onde Jacó descobriu que não precisava mais caminhar sozinho.

 

Boa Reflexão.

 

Pastor Aguinaldo Gonçalves.


quarta-feira, 16 de setembro de 2026

 


A liderança é um chamado de Deus!

 

“QUANDO O LÍDER COMEÇA A CONTAR O QUE DEUS MANDOU CONFIAR”

2 Samuel 24:1–9

“Vai, pois, o rei dizer a Joabe, chefe do seu exército: Agora percorre todas as tribos de Israel, desde Dã até Berseba, e faze o recenseamento do povo, para que eu saiba o número do povo.”

2 Samuel 24:2

O perigo de transformar aquilo que Deus nos confiou em motivo de orgulho pessoal.

 

1. O PROBLEMA NÃO COMEÇOU NO RECENSEAMENTO

Davi manda Joabe contar Israel.

À primeira vista, parece apenas uma estatística.

Mas existe uma pergunta por trás da ordem:

“Em quem está a minha confiança?”

Davi já havia experimentado inúmeras vezes que a vitória não dependia do tamanho do seu exército.

Quando enfrentou Golias, não disse:

“Tenho soldados suficientes.”

Ele declarou:

“Eu vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos.”

1 Samuel 17:45

Agora, depois de tantas conquistas, existe o perigo de Davi começar a olhar para aquilo que ele possui, em vez de olhar para Aquele que lhe deu todas as vitorias.

 

Aplicação

É possível começar servindo a Deus dizendo:

“Senhor, tudo é Teu.”

E depois de algum tempo começar a pensar:

“Olha o que eu construí.”

O líder precisa tomar cuidado quando:

o número de membros se torna mais importante que vidas;

a quantidade de obreiros se torna mais importante que caráter;

o tamanho da igreja se torna mais importante que a presença de Deus;

seguidores nas redes sociais passam a valer mais que frutos espirituais;

cargos passam a valer mais que serviço.

O que Deus colocou em nossas mãos nunca pode tomar o lugar de Deus em nosso coração.

 

2.  NEM TODO CRESCIMENTO SIGNIFICA APROVAÇÃO

Joabe percebe que existe algo errado.

“Porém a palavra do rei prevaleceu contra Joabe...”

2 Samuel 24:4

Aqui encontramos uma grande lição para quem lidera:

Um líder também precisa ouvir quem tem coragem de dizer: “Talvez estejamos errados.”

Joabe não era exatamente um exemplo de espiritualidade, mas naquele momento percebeu que havia alguma coisa inadequada naquela ordem.

 

Aplicação

O Líder cercado somente de pessoas que dizem “sim” corre perigo.

Precisamos de pessoas que possam dizer:

“Pastor, vamos orar primeiro.”

“Presbítero, precisamos pensar melhor.”

“Líder, essa decisão pode prejudicar alguém.”

“Irmão, talvez o problema não esteja nos outros; talvez esteja em nós.”

Provérbios 15:22

“Onde não há conselho, frustram-se os projetos, mas com a multidão de conselheiros se estabelecem.”

Liderança madura não é aquela que nunca é questionada. É aquela que sabe ouvir.

 

3. O PERIGO DE MEDIR A OBRA DE DEUS APENAS POR NÚMEROS

Joabe percorre Israel e chega ao resultado.

“E deu Joabe ao rei a soma do número do povo contado...”

2 Samuel 24:9

Davi agora tinha números.

Mas números não poderiam revelar:

quantos eram verdadeiramente fiéis;

quantos tinham o coração quebrantado;

quantos realmente amavam a Deus;

quantos estavam dispostos a obedecer;

quantos permaneceriam firmes na adversidade.

Uma igreja pode ter muita gente e pouca transformação.

Pode haver:

muitos bancos ocupados, mas poucos joelhos dobrados.

muitos microfones, mas poucas vidas consagradas.

muitas atividades, mas pouca oração.

muitos seguidores, mas poucos discípulos.

Jesus não mandou a Igreja simplesmente produzir admiradores.

Mandou:

“Ide, portanto, fazei discípulos...”

Mateus 28:19

Para o líder de hoje:

Não pergunte apenas:

“Quantos temos?”

Pergunte também:

“Quem estamos formando?”

 

4. O RECENSEAMENTO REVELOU ALGO QUE ESTAVA NO CORAÇÃO DE DAVI

O problema maior não estava nos números.

Estava no coração.

Mais adiante, Davi reconhece:

“Muito pequei em fazer isto...”

 

2 Samuel 24:10

Davi percebe que sua atitude havia ultrapassado uma simples contagem.

Ele havia permitido que algo entrasse dentro dele.

A grande batalha do líder não acontece no púlpito.

Acontece dentro do coração.

O inimigo pode tentar colocar no coração do líder:

“Eu sou indispensável.”

“Sem mim isso não funciona.”

“Foi através de mim que tudo aconteceu.”

Mas Deus pode nos lembrar:

“Eu sou o Senhor; e além de mim não há Salvador.”

Isaías 43:11

O VERDADEIRO LÍDER SABE RECONHECER O ERRO

Essa talvez seja uma das maiores lições de Davi.

Ele não tenta esconder.

Ele não coloca a culpa em Joabe.

Ele não diz:

“A culpa foi de quem me aconselhou.”

Ele reconhece:

“Muito pequei...”

2 Samuel 24:10

Liderança não é ausência de erros.

Liderança é responsabilidade pelos erros.

Um líder espiritual precisa saber dizer:

“Eu errei.”

“Perdoe-me.”

“Vamos corrigir.”

“Precisamos voltar para Deus.”

Isso não diminui o líder.

Isso demonstra maturidade.

 

DEUS NÃO PRECISA DOS NOSSOS NÚMEROS; PRECISA DA NOSSA FIDELIDADE

Davi tinha milhares de homens.

Mas Deus já havia mostrado que poderia vencer com poucos.

Lembre-se de Gideão.

Deus reduziu o exército de Israel até restarem apenas 300 homens.

Juízes 7:7

Por quê?

Para que Israel não dissesse:

“A minha própria mão me livrou.”

 

Aplicação

Às vezes perguntamos:

“Senhor, por que temos tão poucos?”

Talvez Deus esteja dizendo:

“Eu não estou procurando quantidade. Estou procurando fidelidade.”

Deus pode fazer muito através de poucos homens e mulheres completamente entregues.

O LÍDER NÃO É DONO DO REBANHO

Essa é uma das maiores verdades para quem trabalha na obra.

As pessoas não são nossas.

A igreja não é nossa.

O ministério não é nosso.

Os talentos não são nossos.

Os recursos não são nossos.

As vidas pertencem ao Senhor.

Jesus disse:

“Edificarei a minha igreja...”

Mateus 16:18

Ele não disse:

“Edificarei a tua igreja.”

Disse:

“A minha igreja.”

Portanto:

O pastor é servo.

O presbítero é servo.

O diácono é servo.

O líder de departamento é servo.

O professor é servo.

O músico é servo.

O evangelista é servo.

O cargo é uma responsabilidade, não uma propriedade.

UMA PERGUNTA PARA TODO LÍDER

Imagine Jesus chegando hoje ao seu ministério e perguntando:

“Você está contando pessoas ou cuidando de pessoas?”

Essa pergunta muda tudo.

Porque contar é fácil.

Cuidar custa.

Contar pessoas é estatística.

Cuidar de pessoas é pastoreio.

Contar quantos vieram ao culto é simples.

Mas saber:

quem está sofrendo;

quem está desanimado;

quem está pensando em desistir;

quem está precisando de oração;

quem está afastado;

quem precisa de uma palavra;

isso é liderança espiritual.

 

CONCLUSÃO

2 Samuel 24 começa com Davi contando o povo.

Mas termina mostrando algo muito maior:

Deus estava tratando o coração do líder.

E essa é a grande mensagem para nós.

Não conte apenas quantas pessoas estão atrás de você.

Pergunte:

Quantas pessoas estão sendo conduzidas para mais perto de Jesus através da minha liderança?

Não conte apenas quantos obreiros você tem.

Pergunte:

Quantos estão crescendo espiritualmente?

Não conte apenas quantos seguidores você possui.

Pergunte:

Que testemunho estou deixando para aqueles que me seguem?

Não conte apenas o tamanho da obra.

Pergunte:

A presença de Deus ainda é o centro dela?

 

Reflexão:

“O maior perigo de um líder não é ter pouco nas mãos; é esquecer quem colocou aquilo em suas mãos.”

 

Boa Reflexão:

 

Pastor Aguinaldo Gonçalves.